Sobre o grupo

Grupo de Estudos formado por docentes da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) e outras instituições, voltado para a pesquisa, análise e compreensão dos fenômenos ligados ao desenvolvimento socioeconômico e a criminalidade e violência.

Contato, críticas, sugestões e artigos: gedeviolência@gmail.com

Blog de divulgação e vulgarização científica, criado em 22 de Outubro de 2012 e organizado por Thadeu de Sousa Brandão.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Mídia e criminalidade

Sociólogo, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela UFRN. Professor de Sociologia da UFERSA. Coordenador do GEDEV (Grupo de Estudos Desenvolvimento e Violência). Consultor de Segurança Pública da OAB/Mossoró. Membro da Câmara Técnica de Mapeamentos de CVLIs da SESED/RN. Autor de "Atrás das Grades: habitus e interação social no sistema prisional" e co-autor de "Rastros de Pólvora: Metadados 2015".


Segundo o sociólogo norte-americano, especialista em criminalidade, David Garland (2014), a mídia funciona como um elemento oportunista no que se refere ao tratamento do crime. Embora ela não tenha produzido o interesse social pelo crime ou o punitivismo popular imperante, sem uma sedimentada e genuína “experiência coletiva do crime”, dificilmente o noticiário criminal atrairia tanta atenção. Coube à mídia apenas reforçar e dramatizar aquela experiência pública, institucionalizando-a.
Em nossas paragens, a partir do momento em que os órgãos de comunicação se viram incorporados aos grandes grupos das telecomunicações que lucraram fantasticamente na transição para o capitalismo tardio, passaram eles a priorizar um dos elementos centrais do neoliberalismo, que é a utilização do poder punitivo para o controle dos contingentes humanos que ele mesmo marginaliza.
Para André Nascimento:
“Sem correr o risco de subestimar os efeitos do controle do crime na vida cotidiana e a sua parcela de responsabilidade na institucionalização do medo do crime, pode-se afirmar que a mídia é hoje o elemento que mais alavanca o poder punitivo, através da disseminação maciça do discurso único segundo o qual todos os conflitos sociais devem ser resolvidos pelo sistema penal. Nos tempos atuais, a mídia é a principal responsável por inserir a vítima no centro do palco da questão criminal, vinculando seus interesses ao chamado interesse público e colocando ambos em antagonismo com os eventuais direitos e garantias do acusado, como se fossem duas dimensões inconciliáveis” (2014, p. 28).
É responsável, também, pelo crescente interesse parlamentar na atividade investigatória – hoje em dia, a composição de uma CPI é tão estratégica quanto as das comissões que analisam as questões da vida nacional, não apenas por causa do tradicional aproveitamento da criminalização como instrumento de luta política, mas principalmente porque a própria atividade parlamentar é enxergada por este prisma.
A mídia vem conseguindo mobilizar a população em geral para derrubar os dois diques legais que mantêm imensos contingentes humanos fora do cárcere no Brasil: o limite etário mínimo de 18 anos para a imputação de responsabilidade penal (art. 27 CP) e a proibição de permanência na prisão por prazo superior a 30 anos (art. 75 CP), sendo esta última ainda não abertamente entrincheirada pelos órgãos de comunicação.
Embora tenhamos hoje duas criminologias dominantes: uma primeira, uma criminologia do eu, que retrata o criminoso como uma pessoa normal, consumidor como nós numa situação transitória de vulnerabilidade, e que banaliza o crime, mitiga o medo popular e advoga o afastamento do sistema penal em favor de intervenções preventivas, e a segunda, a criminalidade do outro, que demoniza o criminoso, apóia o poder punitivo e expressa e dramatiza os medos populares – a criminologia que está por trás das gritas da mídia é inequivocamente a segunda. Esta é defendida, nos programas policialescos e, mesmo nos “jornais sérios”. Possível vê-las também nos discursos inflamados de muitos “operadores” da justiça criminal.
A mídia, enfim, enraizou na representação popular a lógica do crime e castigo. Discussão séria e balizada? Longe disso. Preocupação com a segurança pública? Também não. O que temos mesmo é um projeto de criminalização da pobreza.

Obra citada

GARLAND, David. A cultura do controle: crime e ordem social na sociedade contemporânea. Tradução, apresentação e notas de André Nascimento. Rio de Janeiro: Revan, 2014.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Membros do GEDEV publicam artigo sobre "O Precariado" em periódico científico



Os professores Thadeu de Sousa Brandão e Sheyla Paiva Pedrosa Brandão, membros do GEDEV-UFERSA, publicaram o artigo/resenha: O não lazer do precariado, “a nova classe perigosa”[1], na Revista Turismo, Estudos e Práticas da UERN.





Para ler e baixar o artigo na íntegra, clique AQUI.

[1] STANDING, Guy. O precariado: A nova classe perigosa. Tradução de Cristina Antunes. Revisão da tradução de Rogério Bettoni. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013.

quarta-feira, 22 de julho de 2015